Grupo para quem gosta e admira este grande escritor português e seus heterônimos mais famosos (Ricardo Reis, Alberto Caeiro e Álvaro de Campos). Vamos discutir nossos poemas favoritos, nossas impressões e nosso amor pela poesia de Fernando Pessoa! **********AVISO A NAVEGACAO: o grupo FERNANDO PESSOA tal como o nome indica, existe para a comunicacao e participacao activa entre PESSOAS que gostam/admiram a obra/vida deste POETA (nao para promocao pessoal, nem de poesia alheia -a nao ser que haja uma relacao explicita com a obra ou a vida do Poeta em questao.......assim sendo,TODOS SAO LIVRES PARA PARTICIPAR, no entanto,tudo o que seja considerado alheio/inapropriado sera excluido, bem como os abusadores poderao esperar o tratamento devido... ALL SPAM will be DELETED, BLOCKED and REPORTED so...don't waste our time and yours, enjoy the poetry instead and let us know HOW/WHY do you like FERNANDO PESSOA and his POETRY
Sempre é preciso saber quando uma etapa chega ao final... Se insistirmos em permanecer nela mais do que o tempo necessário, perdemos a alegria e o sentido das outras etapas que precisamos viver. Encerrando ciclos, fechando portas, terminando capítulos. Não importa o nome que damos, o que importa é deixar no passado os momentos da vida que já se acabaram. Foi despedida do trabalho? Terminou uma relação? Deixou a casa dos pais? Partiu para viver em outro país? A amizade tão longamente cultivada desapareceu sem explicações? Você pode passar muito tempo se perguntando por que isso aconteceu.... Pode dizer para si mesmo que não dará mais um passo enquanto não entender as razões que levaram certas coisas, que eram tão importantes e sólidas em sua vida, serem subitamente transformadas em pó. Mas tal atitude será um desgaste imenso para todos: seus pais, seus amigos, seus filhos, seus irmãos, todos estarão encerrando capítulos, virando a folha, seguindo adiante, e todos sofrerão ao ver que você está parado. Ninguém pode estar ao mesmo tempo no presente e no passado, nem mesmo quando tentamos entender as coisas que acontecem conosco. O que passou não voltará: não podemos ser eternamente meninos, adolescentes tardios, filhos que se sentem culpados ou rancorosos com os pais, amantes que revivem noite e dia uma ligação com quem já foi embora e não tem a menor intenção de voltar. As coisas passam, e o melhor que fazemos é deixar que elas realmente possam ir embora... Por isso é tão importante (por mais doloroso que seja!) destruir recordações, mudar de casa, dar muitas coisas para orfanatos, vender ou doar os livros que tem. Tudo neste mundo visível é uma manifestação do mundo invisível, do que está acontecendo em nosso coração... e o desfazer-se de certas lembranças significa também abrir espaço para que outras tomem o seu lugar. Deixar ir embora. Soltar. Desprender-se. Ninguém está jogando nesta vida com cartas marcadas, portanto às vezes ganhamos, e às vezes perdemos. Não espere que devolvam algo, não espere que reconheçam seu esforço, que descubram seu gênio, que entendam seu amor. Pare de ligar sua televisão emocional e assistir sempre ao mesmo programa, que mostra como você sofreu com determinada perda: isso o estará apenas envenenando, e nada mais. Não há nada mais perigoso que rompimentos amorosos que não são aceitos, promessas de emprego que não têm data marcada para começar, decisões que sempre são adiadas em nome do "momento ideal". Antes de começar um capítulo novo, é preciso terminar o antigo: diga a si mesmo que o que passou, jamais voltará! Lembre-se de que houve uma época em que podia viver sem aquilo, sem aquela pessoa - nada é insubstituível, um hábito não é uma necessidade. Pode parecer óbvio, pode mesmo ser difícil, mas é muito importante.
Encerrando ciclos. Não por causa do orgulho, por incapacidade, ou por soberba, mas porque simplesmente aquilo já não se encaixa mais na sua vida. Feche a porta, mude o disco, limpe a casa, sacuda a poeira. Deixe de ser quem era, e se transforme em quem é. Torna-te uma pessoa melhor e assegura-te de que sabes bem quem és tu próprio, antes de conheceres alguém e de esperares que ele veja quem tu és.. E lembra-te: Tudo o que chega, chega sempre por alguma razão
RICARDO REIS ___________________ ___________________
Tirem-me os deuses em seu arbítrio superior e urdido às escondidas o Amor, glória e riqueza.
Tirem, mas deixem-me, deixem-me apenas a consciencia lúcida e solene das coisas e dos seres
Pouco me importa amor ou glória. A riqueza é um metal, a glória é um eco e o amor uma sombra.
Mas a concisa atenção dada às formas a às maneiras dos objectos tem abrigo seguro.
Seus fundamentos são todo o mundo, seu amor é o plácido Universo, sua riqueza é a vida.
A sua glória é a suprema certeza da solene e clara posse das formas dos objectos.
O resto passa e teme a morte. Só nada teme ou sofre a visão clara e inútil do Universo.
Essa a si basta. Nada deseja salvo o orgulho de ver sempre claro Até deixar de ver.
------------- Bocas roxas de vinho, Testas brancas sob rosas, Nus, brancos antebraços Deixados sobre a mesa;
Tal seja, Lídia, o quadro Em que fiquemos, mudos, Eternamente inscritos Na consciencia dos deuses.
Antes isto que a vida Como os homens a vivem, Cheia da negra poeira Que erguem das estradas.
Só os deuses socorrem Com seu exemplo aqueles Que nada mais pretendem Que ir no rio das coisas. -----------------------
Prefiro rosas, meu amor, à Pátria e antes magnólias amo que a glória e a virtude.
Logo que a vida me não canse, deixo que a vida por mim passe logo que eu fique o mesmo.
Que importa àquele a quem já nada importa que um perca e outro vença, se a aurora raia sempre,
Se cada ano com a Primavera as folhas aparecem e com o Outono cessam ?
E o resto, as outras coisas que os humanos acrecentam à vida, que me aumentam na alma ?
Nada, salvo o desejo de indif'rença e a confiança mole na hora fugitiva.
Segue o teu destino, rega as tuas plantas, ama as tuas rosas. O resto é a sombra de árvores alheias.
A realidade sempre é mais ou menos do que nós queremos. Só nós somos sempre iguais a nós-próprios.
Suave é viver só. Grande e nobre é sempre Viver simplesmente. Deixa a dor nas aras Como ex-voto aos deuses.
Vê de longe a vida. Nunca a interrogues. Ela nada pode Dizer-te. A resposta Está além dos deuses.
Mas serenamente Imita o Olimpo No teu coração. Os deuses são deuses Porque não se pensam.
____________________________ Dia após dia a mesma vida é a mesma. O que decorre, Lídia, No que nós somos como em que não somos Igualmente decorre. Colhido, o fruto deperece, e cai Nunca sendo colhido. Igual é o fado, quer o procuremos, quer o 'speremos. Sorte Hoje, Destino sempre, e nesta ou nessa Forma alheio e invencível. ----------------- Tão cedo passa tudo quanto passa! Morre tão jovem ante os deuses quanto Morre! Tudo é tão pouco! Nada se sabe, tudo se imagina. Circunda-te de rosas, ama, bebe E cala. O mais é nada. _________________ Não só quem nos odeia ou nos inveja Nos limta e oprime; quem nos ama Não menos nos limita. Que os deuses nos concedam que, despido De afectos, tenha a fria liberdade Dos píncaros sem nada. Quem quer pouco, tem tudo; quem quer nada É livre; quem não tem, e não deseja, Homem, é igual aos deuses. _________________________ Não sei se é amor que tens, ou amor que finges, o que me dás. Dás-mo. Tanto me basta. Já que o não sou por tempo, Seja jovem por erro. Pouco os deuses nos dão, e o pouco é falso. Porém se o dão, falso que seja, a dádiva É verdadeira. Aceito, Cerro os olhos: é bastante. Que mais quero ? ______________________ Sereno aguarda o fim que pouco tarda. Que é qualquer vida? Breves sóis e sono. Quanto pensa emprega Em não muito pensares. Ao nauta o mar obscuro é a rota clara. Tu, na confusa solidão da vida, A ti mesmo te elege (Não sabes de outro) o porto. ___________________________- Vive sem horas.Quanto mede pesa, E quanto pensas mede. Num fluido incerto nexo, como o rio Cujas ondas são ele, Assim teus dias vê, e se te vires Passar, como a outrem, cala. _________________________ Para ser grande, sê inteiro: nada Teu exagera ou exclui. Sê todo em cada coisa. Põe quanto és No mínimo que fazes. Assim em cada lago a lua toda Brilha, porque alta vive. _________________________ Quero ignorado, e calmo Por ignorado, e próprio Por calmo, encher meus dias De não querer mais deles.
Aos que a riqueza toca O ouro irrita a pele Aos que a fama bafeja Embacia-se a vida.
Aos que a felicidade É sol, virá a noite. Mas ao que nada ´spera Tudo o que vem é grato. ____________________________ Estás só. Ninguém o sabe. Cala e finge. Mas finge, sem fingimento. Nada 'speres que em ti já não exista, Cada um consigo é triste. Tens sol se há sol, ramos se ramos buscas, Sorte se a sorte é dada. _____________________________ Cada um cumpre o destino que lhe cumpre, E deseja o destino que deseja; Nem cumpre o que deseja, Nem deseja o que cumpre.
Como pedras nas orlas dos canteiros O Fado nos dispõe, e ali ficamos; Que a Sorte nos fez postos Onde houvemos de sê-lo.
Não tenhamos melhor conhecimento Do que nos coube que de que nos coube. Cumpramos o que somos. Nada mais nos é dado.
mais um site dedicado ao grande poeta e pensador fernando pessoa onde pode encontrar (quase) todos os pormenores sobre a sua vida e obra, incluindo os primeiros textos publicados, incluindo o Primeiro Poema, abaixo reproduzido e escrito quando teria cerca de 7 anos de idade:
Primeiro poema
Ó terras de Portugal Ó terras onde eu nasci Por muito que goste delas Inda gosto mais de ti.
Fernando Pessoa 1895
e o primeiro texto publicado aos 14, no jornal "O Imparcial", Ano II, N.º 433 a 18 de Julho de 1902:
Glosa a uma quadra de Augusto Gil
MOTE
Teus olhos, contas escuras, São duas Ave Marias Du’m rosário d’amarguras Que eu rezo todos os dias.
GLOSA
Quando a dor me amargurar, Quando sentir penas duras, Só me podam consolar Teus olhos, contas escuras.
D’elles só brotam amores: Não há sombras d’ironias; Esses olhos sedutores São duas Ave Marias.
Mas se a ira os vêm turvar Fazem-me sofrer torturas E as contas todas rezar D’um rosário d’amarguras.
Ou se os alaga a aflição Peço p’ra ti alegrias N’uma fervente oração Que rezo todos os dias!
Disse Fernando Pessoa:"O futuro de Portugal, que não calculo mas sei, está escrito nas Trovas do Bandarra. Esse futuro é sermos tudo." Excerto do filme "Mensagem", dirigido e montado por Luis Vidal Lopes, estreado no cinema S.Luiz, em Lisboa, no dia 13 de Junho de 1988 e baseado no livro homónimo de Fernando Pessoa. Argumento e texto de Manuel Gandra e Luis Vidal Lopes. Poemas, cartas e textos originais de Fernando Pessoa. Fotografia de Manuel Costa e Silva. Musica de Gustave Holtz. Produção de Cristina Hauser. Filipe Ferrer no papel de Fernando Pessoa e Sebastião Arenque como Bandarra.
Troquemos a catoliCIA rOMANA (catolica astucia dos romanos) , que nunca desistiram de querer ser universais, mas que de facto nao passam das resquicias dos espertos imperios constantinos, das lucrecias & borgias descarados, mais as legioes de vendilhoes & demais companhia, felizmente , limitada (que em tempos idos comercializavam o perdao dos pecados e o acesso aos ceus das suas fantasias, mas hoje e agora se vao limitando á industria dos figurinos de cera e etc e tal) … troquemo-los tao logo quanto possivel, pelo V Imperio dum Portugal Universal, Imperio do Espirito, da Luz, da Razao, da Verdade, da Justica, da Cultura, dos Poetas e Artistas Livres e Soberanos… e deixemos os papinhas, os papoes e os papistas se sumirem entre as brumas da memoria, de rabinho entre as labitas … e deixemo-los la reinar sobre as teias de aranha e os ninhos de moscas do ValToscano, - tambem conhecido por (Va(iPe)ti(s)can(d)o -, enquanto ainda for o seu limitado e breve tempo…
Bye Bye, RatoZinger parlaBento, cantas bem mas nao me alegras…
Adeus e Vai-te Embor(i)a….. Para Bem Longe da Memoria…
Tu que tiveste o sonho de ser a voz de Portugal tu foste de verdade a voz de Portugal e não foste tu! Foste de verdade, não de feito, a voz de Portugal. De verdade e de feito só não foste tu. A Portugal, a voz vem-lhe sempre depois da idade e tu quiseste acertar-lhe a voz com a idade e aqui erraste tu, não a tua voz de Portugal não a idade que já era de hoje. Tu foste apenas o teu sonho de ser a voz de Portugal o teu sonho de ti o teu sonho dos portugueses só sonhado por ti. Tu sonhaste a continuação do sonho português somos todos os séculos de Portugal somados todos os vários sonhos portugueses tu sonhaste a decifração final do sonho de Portugal e a vida que desperta depois do sonho a vida que o sonho predisse. Tu tiveste o sonho de ser a voz de Portugal tu foste de verdade a voz de Portugal e não foste tu! Tu ficaste para depois E Portugal também. Tu levaste empunhada no teu sonho a bandeira de Portugal vertical sem pender para nenhum lado o que não é dado pra portugueses. Ninguém viu em ti, Fernando, senão a pessoa que leva uma bandeira e sem a justificação de ter havido festa. Nesta nossa querida terra onde ninguém a ninguém admira e todos a determinados idolatram. Foi substituído Portugal pelo nacionalismo que é maneira de acabar com partidos e de ficar talvez o partido de Portugal mas não ainda apenas Portugal! Portugal fica para depois e os portugueses também como tu.
Estou cheio de tédio, de nada. Em cima da cama Leio, com uma minuciosidade atómica, Lentamente, com uma atenção sem chama, A Nova Enciclopédia Maçónica.
Penso no que fui (não me escapam as entrelinhas), E o que a minha alma quis e a minha vida fez, Coube-me, como a uma senhora um carrinho de linhas, No meio do Grau 32 do Rito Escocês.
O que quis do passado por brisas se esfolha, O que pude de oculto teve a tempo medo; E olho a sorrir o título no alto da folha: Sublime Príncipe do Rial Segredo…
A liberdade, sim, a liberdade! A verdadeira liberdade! Pensar sem desejos nem convicções. Ser dono de si mesmo sem influência de romances! Existir sem Freud nem aeroplanos, Sem cabarets, nem na alma, sem velocidades, nem no cansaço! A liberdade do vagar, do pensamento são, do amor às coisas naturais A liberdade de amar a moral que é preciso dar à vida! Como o luar quando as nuvens abrem A grande liberdade cristã da minha infância que rezava Estende de repente sobre a terra inteira o seu manto de prata para mim… A liberdade, a lucidez, o raciocínio coerente, A noção jurídica da alma dos outros como humana, A alegria de ter estas coisas, e poder outra vez Gozar os campos sem referência a coisa nenhuma E beber água como se fosse todos os vinhos do mundo!
Passos todos passinhos de criança… Sorriso da velha bondosa… Apertar da mão do amigo sério… Que vida que tem sido a minha! Quanto tempo de espera no apeadeiro! Quanto viver pintado em impresso da vida! Ah, tenho uma sede sã. Dêem-me a liberdade, Dêem-me no púcaro velho de ao pé do pote. Da casa do campo da minha velha infância… Eu bebia e ele chiava, Eu era fresco e ele era fresco, E como eu não tinha nada que me ralasse, era livre. Que é do púcaro e da inocência? Que é de quem eu deveria ter sido? E salvo este desejo de liberdade e de bem e de ar, que é de mim?
Álvaro de Campos was one of Fernando Pessoa's various heteronyms, widely known by his powerful and wraithful writing style. Campos' works may be split in three phases: the decadentist phase, the futuristic phase and the decadent (sad) phase. He chose Marinetti and Whitman as masters, showing some similitarities with their works, mainly in the second phase: hymns like "Ode Triunfal" and "Ode Marítima" praise the power of the rising technology, the strength of the machines, the dark side of the industrial civilization, and an enigmatic love for the machines. The first phase (marked by the poem Opiário) shared some of its pessimism with Pessoa's friend Mário de Sá-Carneiro, one of his co-workers in Orpheu magazine. In the last phase, Pessoa drops the mask, and reveals through Campos all the emptiness and nostalgy that grew during his last years of life. He lived in Barrow-in-Furness, Cumbria, England for a time where he studied Ship Engineering (of which Pessoa wrote a poem about).
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e onde tambem podem ser encontrados os espolios de outros importantes poetas portugueses, como Miguel Torga, Bocage, Florbela Espanca, entre outros, alem de providenciar ligacoes á grande maioria das bibliotecas do mundo inteiro